Reforma Tributária no comércio: o que empresas que vendem precisam acompanhar

6 de julho de 2026
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do Consumo cria um novo modelo de cobrança sobre bens e serviços. Na prática, tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS serão substituídos gradualmente por dois novos impostos principais:

  • CBS, de competência federal;
  • IBS, de competência estadual e municipal.

Também foi criado o Imposto Seletivo, que será aplicado sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, conforme a legislação.

Para as empresas do comércio, isso significa que a operação de venda vai precisar se adaptar a novos campos na nota fiscal, novas regras de cálculo, novos controles e uma nova lógica de aproveitamento de créditos.

Por que o comércio precisa acompanhar de perto?

Empresas que vendem lidam todos os dias com produto, estoque, nota fiscal, preço, margem, frete, devolução, troca, venda parcelada, marketplace e diferentes formas de pagamento.

Com a Reforma Tributária, qualquer erro no cadastro fiscal de um produto pode afetar diretamente a emissão da nota, o cálculo do imposto e até a margem da venda.

Um produto cadastrado de forma errada hoje já pode gerar problema. Com a transição da Reforma, esse cuidado fica ainda mais importante, porque os sistemas passarão a exigir novas informações relacionadas ao IBS e à CBS.

2026 será um ano de adaptação

O ano de 2026 marca a fase de teste da CBS e do IBS. Nesse período, os documentos fiscais eletrônicos devem passar a trazer o destaque dos novos tributos, conforme as regras e leiautes definidos nas notas técnicas.

A alíquota teste prevista é de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Esse período serve para testar sistemas, validar informações e preparar empresas, contabilidades, emissores de nota e órgãos fiscais para a mudança completa.

Isso não significa que o comerciante pode ignorar o assunto. Pelo contrário. É justamente nessa fase que a empresa precisa ajustar cadastro, revisar sistema e entender como a operação será impactada.

O que empresas que vendem precisam acompanhar?

1. Cadastro de produtos

O cadastro de produtos será uma das partes mais sensíveis da mudança.

Empresas do comércio precisam revisar NCM, descrição dos produtos, regras fiscais, unidades de medida, natureza da operação e demais informações usadas na emissão das notas.

Um cadastro mal preenchido pode gerar nota rejeitada, cálculo incorreto ou inconsistência fiscal.

2. Sistema emissor de notas fiscais

Com a Reforma, os documentos fiscais eletrônicos passam a exigir campos relacionados à CBS e ao IBS.

Por isso, é importante verificar se o sistema emissor usado pela empresa está atualizado e preparado para as novas exigências. Isso vale para lojas físicas, e-commerces, empresas que usam ERP, sistemas de frente de caixa, plataformas de marketplace e emissores integrados.

3. Formação de preço

A Reforma Tributária pode alterar a forma como os impostos aparecem no preço e como os créditos são aproveitados.

Empresas do comércio precisam acompanhar se a margem dos produtos continuará saudável após as mudanças. Em alguns casos, será necessário revisar preços, descontos, frete, promoções e condições de pagamento.

Preço não pode ser definido apenas olhando o concorrente. Com a nova regra tributária, será ainda mais importante entender o custo real da operação.

4. Créditos tributários

Um dos pontos centrais do novo modelo é a não cumulatividade, que permite aproveitar créditos em determinadas operações.

Para o comércio, isso pode impactar diretamente a compra de mercadorias, insumos, serviços contratados, despesas operacionais e relação com fornecedores.

Empresas que não controlam bem suas entradas e saídas podem perder oportunidades ou ter dificuldade para comprovar créditos corretamente.

5. Relação com fornecedores

O comerciante também precisa observar se seus fornecedores estão preparados.

Uma nota de compra emitida com erro pode afetar o aproveitamento de crédito e gerar inconsistência na operação de quem vende depois.

Por isso, será importante acompanhar a qualidade fiscal das notas recebidas, a regularidade dos fornecedores e a organização dos documentos de entrada.

6. Vendas por marketplace e e-commerce

Quem vende pela internet deve ter atenção redobrada.

Marketplaces, plataformas de pagamento, sistemas de gestão e emissores de nota precisam estar alinhados. A empresa deve entender quem emite a nota, como os dados são enviados, como os pagamentos são conciliados e como as informações fiscais chegam à contabilidade.

No e-commerce, qualquer falha de integração pode virar problema em escala, principalmente quando há grande volume de pedidos.

7. Fluxo de caixa

A Reforma também pode impactar o fluxo de caixa das empresas.

Com novas formas de apuração, destaque de tributos e mudanças futuras nos meios de recolhimento, o comerciante precisa acompanhar de perto o que entra, o que sai e o que realmente fica disponível no caixa.

Empresas que já têm dificuldade de separar faturamento, imposto, custo e lucro precisam organizar essa rotina o quanto antes.

O Simples Nacional também será impactado?

Sim. Empresas do Simples Nacional também precisam acompanhar a Reforma Tributária.

Embora o regime continue existindo, haverá mudanças importantes na forma de escolha do regime e na relação com IBS e CBS. Para 2027, por exemplo, a opção pelo Simples Nacional deverá ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.

Isso exige planejamento. A empresa precisa avaliar com antecedência se permanecer no Simples será a melhor opção ou se outro regime poderá fazer mais sentido, dependendo do faturamento, tipo de cliente, créditos e operação.

O que sua empresa pode fazer agora?

Mesmo com a transição acontecendo aos poucos, algumas ações já podem ser tomadas:

  • revisar o cadastro de produtos;
  • verificar se o sistema emissor está preparado;
  • organizar notas de entrada e saída;
  • acompanhar os comunicados da contabilidade;
  • revisar margens e formação de preço;
  • mapear fornecedores principais;
  • avaliar impactos no regime tributário;
  • melhorar o controle financeiro e fiscal.

O comércio que se prepara antes reduz risco, evita correria e toma decisões melhores.

A Reforma Tributária no comércio não deve ser vista apenas como uma mudança de imposto. Ela também envolve gestão, tecnologia, cadastro, preço, nota fiscal, fornecedores e controle financeiro.

Empresas que vendem precisam acompanhar cada etapa da transição para evitar erros e proteger a saúde do negócio.

Quanto antes a empresa entender o impacto da Reforma, mais preparada estará para ajustar processos, revisar preços e tomar decisões com segurança.

Quer entender como a Reforma Tributária pode afetar sua empresa?

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