do Consumo cria um novo modelo de cobrança sobre bens e serviços. Na prática, tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS serão substituídos gradualmente por dois novos impostos principais:
- CBS, de competência federal;
- IBS, de competência estadual e municipal.
Também foi criado o Imposto Seletivo, que será aplicado sobre produtos e atividades considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, conforme a legislação.
Para as empresas do comércio, isso significa que a operação de venda vai precisar se adaptar a novos campos na nota fiscal, novas regras de cálculo, novos controles e uma nova lógica de aproveitamento de créditos.
Por que o comércio precisa acompanhar de perto?
Empresas que vendem lidam todos os dias com produto, estoque, nota fiscal, preço, margem, frete, devolução, troca, venda parcelada, marketplace e diferentes formas de pagamento.
Com a Reforma Tributária, qualquer erro no cadastro fiscal de um produto pode afetar diretamente a emissão da nota, o cálculo do imposto e até a margem da venda.
Um produto cadastrado de forma errada hoje já pode gerar problema. Com a transição da Reforma, esse cuidado fica ainda mais importante, porque os sistemas passarão a exigir novas informações relacionadas ao IBS e à CBS.
2026 será um ano de adaptação
O ano de 2026 marca a fase de teste da CBS e do IBS. Nesse período, os documentos fiscais eletrônicos devem passar a trazer o destaque dos novos tributos, conforme as regras e leiautes definidos nas notas técnicas.
A alíquota teste prevista é de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. Esse período serve para testar sistemas, validar informações e preparar empresas, contabilidades, emissores de nota e órgãos fiscais para a mudança completa.
Isso não significa que o comerciante pode ignorar o assunto. Pelo contrário. É justamente nessa fase que a empresa precisa ajustar cadastro, revisar sistema e entender como a operação será impactada.
O que empresas que vendem precisam acompanhar?
1. Cadastro de produtos
O cadastro de produtos será uma das partes mais sensíveis da mudança.
Empresas do comércio precisam revisar NCM, descrição dos produtos, regras fiscais, unidades de medida, natureza da operação e demais informações usadas na emissão das notas.
Um cadastro mal preenchido pode gerar nota rejeitada, cálculo incorreto ou inconsistência fiscal.
2. Sistema emissor de notas fiscais
Com a Reforma, os documentos fiscais eletrônicos passam a exigir campos relacionados à CBS e ao IBS.
Por isso, é importante verificar se o sistema emissor usado pela empresa está atualizado e preparado para as novas exigências. Isso vale para lojas físicas, e-commerces, empresas que usam ERP, sistemas de frente de caixa, plataformas de marketplace e emissores integrados.
3. Formação de preço
A Reforma Tributária pode alterar a forma como os impostos aparecem no preço e como os créditos são aproveitados.
Empresas do comércio precisam acompanhar se a margem dos produtos continuará saudável após as mudanças. Em alguns casos, será necessário revisar preços, descontos, frete, promoções e condições de pagamento.
Preço não pode ser definido apenas olhando o concorrente. Com a nova regra tributária, será ainda mais importante entender o custo real da operação.
4. Créditos tributários
Um dos pontos centrais do novo modelo é a não cumulatividade, que permite aproveitar créditos em determinadas operações.
Para o comércio, isso pode impactar diretamente a compra de mercadorias, insumos, serviços contratados, despesas operacionais e relação com fornecedores.
Empresas que não controlam bem suas entradas e saídas podem perder oportunidades ou ter dificuldade para comprovar créditos corretamente.
5. Relação com fornecedores
O comerciante também precisa observar se seus fornecedores estão preparados.
Uma nota de compra emitida com erro pode afetar o aproveitamento de crédito e gerar inconsistência na operação de quem vende depois.
Por isso, será importante acompanhar a qualidade fiscal das notas recebidas, a regularidade dos fornecedores e a organização dos documentos de entrada.
6. Vendas por marketplace e e-commerce
Quem vende pela internet deve ter atenção redobrada.
Marketplaces, plataformas de pagamento, sistemas de gestão e emissores de nota precisam estar alinhados. A empresa deve entender quem emite a nota, como os dados são enviados, como os pagamentos são conciliados e como as informações fiscais chegam à contabilidade.
No e-commerce, qualquer falha de integração pode virar problema em escala, principalmente quando há grande volume de pedidos.
7. Fluxo de caixa
A Reforma também pode impactar o fluxo de caixa das empresas.
Com novas formas de apuração, destaque de tributos e mudanças futuras nos meios de recolhimento, o comerciante precisa acompanhar de perto o que entra, o que sai e o que realmente fica disponível no caixa.
Empresas que já têm dificuldade de separar faturamento, imposto, custo e lucro precisam organizar essa rotina o quanto antes.
O Simples Nacional também será impactado?
Sim. Empresas do Simples Nacional também precisam acompanhar a Reforma Tributária.
Embora o regime continue existindo, haverá mudanças importantes na forma de escolha do regime e na relação com IBS e CBS. Para 2027, por exemplo, a opção pelo Simples Nacional deverá ser feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027.
Isso exige planejamento. A empresa precisa avaliar com antecedência se permanecer no Simples será a melhor opção ou se outro regime poderá fazer mais sentido, dependendo do faturamento, tipo de cliente, créditos e operação.
O que sua empresa pode fazer agora?
Mesmo com a transição acontecendo aos poucos, algumas ações já podem ser tomadas:
- revisar o cadastro de produtos;
- verificar se o sistema emissor está preparado;
- organizar notas de entrada e saída;
- acompanhar os comunicados da contabilidade;
- revisar margens e formação de preço;
- mapear fornecedores principais;
- avaliar impactos no regime tributário;
- melhorar o controle financeiro e fiscal.
O comércio que se prepara antes reduz risco, evita correria e toma decisões melhores.
A Reforma Tributária no comércio não deve ser vista apenas como uma mudança de imposto. Ela também envolve gestão, tecnologia, cadastro, preço, nota fiscal, fornecedores e controle financeiro.
Empresas que vendem precisam acompanhar cada etapa da transição para evitar erros e proteger a saúde do negócio.
Quanto antes a empresa entender o impacto da Reforma, mais preparada estará para ajustar processos, revisar preços e tomar decisões com segurança.
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