Reforma Tributária e o Setor de Tecnologia: O Que Muda e Como Se Preparar

4 de agosto de 2025
Sem categoria

Se você empreende no setor de tecnologia, é natural que o foco esteja em inovação, performance e escalabilidade. Mas, às vezes, o que pode realmente comprometer seus resultados não está no código, está nos bastidores: na gestão fiscal. A Reforma Tributária está avançando e promete mudar significativamente a forma como empresas do setor tech lidam com tributos. E embora o discurso oficial seja de simplificação, os impactos práticos podem incluir aumento da carga tributária, perda de incentivos e um novo cenário de regras e obrigações fiscais. Neste artigo, vamos analisar:

  • O que é, de fato, a Reforma Tributária e o que muda na estrutura de tributos
  • Como empresas de tecnologia, especialmente prestadoras de serviços, serão impactadas
  • Quais decisões você precisa tomar agora para proteger seu negócio e manter a competitividade

Vamos direto ao ponto, com uma escrita acessível, fluida e estratégica. Porque o futuro da sua empresa também passa pela forma como ela lida com impostos.

O que é a Reforma Tributária (sem juridiquês)?

A Reforma Tributária é um conjunto de mudanças estruturais no sistema de arrecadação de tributos no Brasil. Seu objetivo declarado é simplificar a cobrança, reduzir distorções e aumentar a transparência. Hoje, o Brasil tem um sistema caótico de impostos sobre consumo, com cinco tributos distintos:

  • PIS
  • COFINS
  • IPI
  • ICMS
  • ISS

A proposta da reforma é substituí-los por dois tributos principais:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) – de competência federal
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) – compartilhado entre estados e municípios

Esses dois tributos compõem o que o governo chama de IVA (Imposto sobre Valor Agregado). O modelo é inspirado em práticas internacionais, e pretende acabar com a cumulatividade de impostos e a guerra fiscal entre estados. Mas, na prática, o impacto depende do setor — e o de tecnologia merece atenção especial.

Como o setor de tecnologia será impactado?

Se a sua empresa desenvolve software, oferece soluções em nuvem, consultoria em TI, plataformas SaaS ou serviços digitais, é provável que você sinta os efeitos da reforma diretamente no seu fluxo de caixa. Hoje, muitas empresas de tecnologia operam no Simples Nacional ou Lucro Presumido, com alíquotas bem abaixo do que está previsto no novo modelo. Vamos a um exemplo prático:
Imagine uma empresa de software que fatura R$ 2 milhões por ano no Lucro Presumido. A carga tributária total gira em torno de 8,5%. Com as novas regras, a estimativa de alíquota combinada entre CBS e IBS pode chegar a 25%. Isso significa que, sem planejamento, a empresa pode mais que dobrar sua carga tributária. Esse impacto ocorre porque os serviços de tecnologia, hoje muitas vezes enquadrados com base em uma lógica de prestação intelectual (com redução de base de cálculo de ISS, por exemplo), passarão a ser tratados dentro de uma estrutura de IVA que não distingue serviços de bens. E isso muda completamente o jogo.

Simples Nacional está imune? A princípio, as empresas optantes pelo Simples Nacional não serão diretamente afetadas na primeira fase da reforma. Mas é importante entender que:

  • O Simples pode ser revisto nas próximas fases
  • A proporção da alíquota repassada aos entes pode mudar
  • Muitos serviços que hoje têm alíquota reduzida podem sofrer alterações na carga total indireta

Ou seja: mesmo que sua empresa esteja no Simples, é prudente se planejar. A regra pode mudar e a previsibilidade será menor.

O que fazer agora? Ações práticas para o setor tech

Reforma Tributária não é tema para “ver depois”. É agora que as decisões precisam ser revistas. Aqui vão algumas ações estratégicas para empresas de tecnologia:

1. Simule os novos cenários: Converse com seu contador e analise como as mudanças impactariam seu negócio hoje. Isso permite antecipar ajustes.
2. Avalie sua estrutura societária: Empresas que operam como SLU ou LTDA devem revisar seus contratos e regimes. Algumas decisões jurídicas podem interferir diretamente na carga tributária.
3. Atualize sua base de cadastro fiscal: Empresas tech lidam com múltiplos códigos de atividade (CNAEs). É hora de verificar se todos estão corretos e se ainda fazem sentido.
4. Otimize seu ERP e notas fiscais: Sistemas de gestão precisam estar preparados para acompanhar a mudança na forma de cálculo e emissão de documentos.
5. Monte um plano de transição fiscal: Tenha um plano B (e até um plano C). A reforma será implementada de forma progressiva. Quem se antecipa, adapta melhor.

Conclusão!? a Reforma pode não ser opcional, mas a sua preparação é. O setor de tecnologia está no centro da transformação digital do país, mas precisa também estar no centro da estratégia tributária. A Reforma Tributária vai acontecer. E embora ela traga uma promessa de simplificação, o caminho até a estabilidade será cheio de desafios, e oportunidades para quem se preparar. Na Cnpjotas, acreditamos que contabilidade boa é aquela que olha pra frente. Que enxerga a legislação como aliada do crescimento, e não como obstáculo. Por isso, estamos acompanhando cada detalhe da reforma para orientar nossos parceiros de forma estratégica e prática.

Se você quer entender mais e se manter atualizado com uma contabilidade inteligente e humana, siga nosso perfil no Instagram: @cnpjotas

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